O vinho que apresentei é o :
Vinho Orgânico
O site Planeta Orgânico explica que todo alimento orgânico é mais do que um produto sem agrotóxicos. “É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos etc.), conservando-os a longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Deste modo, para se obter um alimento verdadeiramente orgânico é necessário administrar conhecimentos de diversas ciências (agronomia, ecologia, sociologia, economia, entre outras) para que o agricultor, através de um trabalho harmonizado com a natureza, possa ofertar ao consumidor alimentos que promovam não apenas a saúde deste último, mas também do planeta como um todo”.
Nos Estados Unidos, os consumidores compram os orgânicos porque seriam melhores para a saúde; porque são produtos que protegem o meio ambiente. E porque acham que são vinhos de grande qualidade. Noto que os produtos orgânicos produzidos no Brasil (somos até exportadores) também ganharam imagem de produtos de alta qualidade.
De um modo geral, tanto os vinhos orgânicos quanto os convencionais gozam dessa imagem positiva, isenta de reprovações quando pensamos o quanto de danos os humanos estão provocando no planeta: as emissões de carbono, os produtos químicos perigosos, o lixo não-reciclável etc.
Tomamos o nosso vinho envoltas num clima de romance e história: aqueles gregos, romanos, os monges, os artesões produzindo um produto puro, enquanto nós aqui pensando que o aquecimento global está bem a léguas de nossa querida taça.
Será mesmo? Como o vinho poderia prejudicar o meio ambiente?
O problema da água
Fungicidas, herbicidas e fertilizantes usados para combater o mofo, pestes e tornarem as vinhas mais produtivas podem afetar o lençol freático, a água subterrânea, que pode ficar contaminada para ser bebida ou utilizada para irrigar outras culturas.
Da mesma maneira, o despejo da água utilizada pelas vinícolas para lavar barris e tanques pode danificar ecossistemas de rios, lagos e lagoas. Não, não culpe apenas os grandes grupos. Os pequenos produtores não fazem diferente dos grandes.
A grande ressalva é a de que 99% da água utilizada na produção de vinho vão para a irrigação, muito mais do que na cultura do arroz, por exemplo (2.380 litros de água por quilo do grão).
O caso das garrafas
Para fazermos vidro precisamos fundir muita areia (mais dióxido de silício, carbonato de sódio e carbonato de cálcio) a uma temperatura altíssima, acima dos 1.500º C. Todo esse calor exige um consumo fenomenal de energia, que vai resultar em emissões de gases do efeito estufa, aqueles que absorvem parte da radiação infravermelha, aumentando a temperatura da Terra, provocando mudanças climáticas. Além disso, o transporte de, digamos, mil garrafas de vidro vai gerar mais energia (mais emissões de CO2) do que o de mil garrafas de plástico, mais leves. Fazer o quê? Substituir o vidro pelo plástico? O vidro é reciclável, já o plástico. O problema aqui está longe de uma solução.
A pegada de carbono
É a medida do impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente, em termos da quantidade de gases do efeito estufa produzido. A medida é feita em unidades de dióxido de carbono. O processo de fermentação nas vinícolas gera CO2, outros equipamentos na vinícola (prensas etc.) também produzem esse gás. Mas a maior quantidade de pegadas está nas viagens que os vinhos fazem da vinícola para seus destinos. Perambulam por todo o mundo. Não existem muitas estatísticas a respeito, mas a Viña Ventisqueiro, chilena, calculou que um container com 1.540 caixas de seus vinhos, indo do Chile para a Inglaterra, equivale ao consumo de duas toneladas de petróleo. É praticamente impossível projetar o dano causado pelo transporte do vinho, por qualquer meio, em qualquer lugar. Mas devem ser menores do que as emissões promovidas por qualquer bebida em garrafas de plástico. Pobre consolo.
O lixo do vinho
Vinho não é apenas juntar uvas com fermento. Parece limpo, mas deixa, ao final, um monte de lixo – na forma de cascas, talos, hastes, sementes, polpas – e é um bagaço pouco utilizado pelas vinícolas. Algumas o emprega como fertilizante, outras para fazer destilados (grappa, bagaceira etc.). Uma boa novidade é que já estão conseguindo transformá-lo em combustível. A vinícola canadense Inniskillin, importante produtora de “vinhos de gelo”, já está enviando o bagaço de sua produção para uma empresa de Ontário especializada em energia alternativa. Lá o bagaço se transforma em biogás, enquanto se decompõe ajudado por microorganismos, liberando gás metano. Aliás, o lixo orgânico, do óleo de cozinha ao cocô do totó, pode ser transformado em gás metano. Residências em Ontário já começam a ser aquecidas através desse recurso. Enquanto isso, a União Européia já votou a favor, por razões de proteção do meio ambiente, da obrigatoriedade da destilação de subprodutos do vinho, como o citado bagaço. Serão transformados em álcool. Mas soluções como a Inniskillin são até melhores.
O problema humano
Do Novo ao Velho Mundo, a indústria do vinho utiliza intensivamente o trabalho humano, trabalho manual, com trabalhadores recrutados sazonalmente. Em qualquer parte vamos encontrar imigrantes ilegais, como os mexicanos na Califórnia, ou Tailandeses na Nova Zelândia trabalhando sob condições inadequadas ou inescrupulosas. Pois é, bóias-frias são tratados da mesma maneira em todo o mundo. E essa é uma pegada desumana, que precisa ser corrigida.
Diante disso, acho ótimo que vinhos orgânicos estejam sendo mais procurados. Acho que sua maior qualidade é um manejo correto do meio ambiente, o que implica em saúde para a Terra e para os seus moradores. Mas eles não estão livres dos problemas relatados acima.
Preferiria que a moda pelo verde não ficasse restrita a um sistema de produção agrícola. Mas a um cuidado maior, necessário e urgente com a Mãe Terra.
(http://domaine.wordpress.com/2008/03/08/vinho-organico-a-onda-verde/)
Cono Sur Carmenere
Um grande beijo !
Cadu Dib

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